{"id":5001,"date":"2023-12-20T11:09:10","date_gmt":"2023-12-20T14:09:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/?p=5001"},"modified":"2023-12-20T11:09:13","modified_gmt":"2023-12-20T14:09:13","slug":"a-impossibilidade-de-equiparacao-das-associacoes-civis-as-sociedades-empresarias-para-fins-de-submissao-ao-regime-da-recuperacao-judicial-regulado-pela-lei-federal-numero-11-101-2005-caio-muller-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/?p=5001&lang=en","title":{"rendered":"A (Im)Possibilidade de Equipara\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Civis \u00e0s Sociedades Empres\u00e1rias para fins de Submiss\u00e3o ao Regime da Recupera\u00e7\u00e3o Judicial Regulado pela Lei Federal N\u00famero 11.101\/2005 | Caio M\u00fcller e Thiago Kopperschmidt para o Portal Migalhas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CONTEXTUALIZA\u00c7\u00c3O GERAL DO TEMA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aumento substancial da distribui\u00e7\u00e3o de pedidos de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial no Brasil tem sido not\u00f3rio no decorrer do ano de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme dados divulgados pelo Serasa Experian<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, foram registrados, apenas no m\u00eas de setembro do presente ano, 136 (cento e trinta e seis) novas a\u00e7\u00f5es recuperacionais, cujo n\u00famero representa um crescimento de 94,3% (noventa e quatro v\u00edrgula tr\u00eas por cento), em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">In\u00fameras t\u00eam sido as explica\u00e7\u00f5es de especialistas para justificar a referida majora\u00e7\u00e3o, que englobam desde os efeitos da pandemia do novo coronav\u00edrus, at\u00e9 uma maior dissemina\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o, do setor econ\u00f4mico privado nacional, quanto \u00e0 natureza e benef\u00edcios do Instituto, assim como suas finalidades e consequ\u00eancias de seu manejo. Em raz\u00e3o disto, percebe-se, tamb\u00e9m, uma acentua\u00e7\u00e3o das discuss\u00f5es acerca do alcance dos procedimentos recuperacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A doutrina especializada e o Poder Judici\u00e1rio, ent\u00e3o, considerando o cen\u00e1rio econ\u00f4mico atualmente verificado no Brasil, passaram a se debru\u00e7ar sobre a possibilidade de agentes econ\u00f4micos n\u00e3o necessariamente enquadrados, \u00e0 exatid\u00e3o, ao conceito de sociedades empres\u00e1rias, ou, empres\u00e1rios, submeterem-se \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es da Lei Federal n\u00ba 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pois bem. Inicialmente, \u00e9 importante destacar que o artigo 1\u00ba, <em>caput<\/em>, da Lei de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial e Fal\u00eancia \u00e9 expresso ao dispor que a referida Legisla\u00e7\u00e3o <em>\u201cdisciplina a <strong>recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/strong>, a recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial e a fal\u00eancia do <strong>empres\u00e1rio<\/strong> e da <strong>sociedade empres\u00e1ria<\/strong>, doravante referidos simplesmente como devedor.\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, importante destacar que, sob a perspectiva da cl\u00e1ssica Teoria da Empresa, o conceito de empres\u00e1rio, ou, sociedade empres\u00e1ria leva em considera\u00e7\u00e3o, em sintonia com o disposto no artigo 966, <em>caput<\/em>, do C\u00f3digo Civil Brasileiro<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, precipuamente, uma converg\u00eancia de vontades para uma finalidade comum e <strong>indubitavelmente econ\u00f4mica<\/strong>, sendo, a maior delas, o lucro e a divis\u00e3o dos resultados auferidos em raz\u00e3o do exerc\u00edcio da atividade respectiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, em uma interpreta\u00e7\u00e3o literal e restritiva dos conceitos e dispositivos anteriormente mencionados, poder-se-ia pressupor que apenas, e t\u00e3o somente, pessoas jur\u00eddicas tipicamente empres\u00e1rias poderiam se valer do procedimento recuperacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, discuss\u00f5es relevantes sobre a tem\u00e1tica v\u00eam se intensificando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A doutrina especializada e a jurisprud\u00eancia t\u00eam, gradativamente, e certamente em raz\u00e3o do j\u00e1 mencionado contexto econ\u00f4mico nacional, agu\u00e7ado as discuss\u00f5es e an\u00e1lises relativas \u00e0 possibilidade de pessoas jur\u00eddicas n\u00e3o caracterizadas, eminentemente, como sociedades empres\u00e1rias, valerem-se do regime da Recupera\u00e7\u00e3o Judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o debate se estenda a diversos agentes econ\u00f4micos, neste momento, o recorte pretendido limitar-se-\u00e1 a investigar a compatibilidade dos feitos recuperacionais com as Associa\u00e7\u00f5es Civis, constitu\u00eddas na forma do artigo 53, <em>caput<\/em> e seguintes, do C\u00f3digo Civil Brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A POSS\u00cdVEL APLICA\u00c7\u00c3O DO REGIME RECUPERACIONAL \u00c0S ASSOCIA\u00c7\u00d5ES CIVIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A indaga\u00e7\u00e3o maior, dentro da tem\u00e1tica, \u00e9 se seria poss\u00edvel, ou, jur\u00eddico e economicamente aceit\u00e1vel, que Associa\u00e7\u00f5es Civis se valham do Procedimento Recuperacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A avalia\u00e7\u00e3o e constata\u00e7\u00e3o da real condi\u00e7\u00e3o do agente, indubitavelmente, mostra-se como elemento imprescind\u00edvel para que determinadas conclus\u00f5es sejam extra\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outras palavras, uma Associa\u00e7\u00e3o Civil que realiza, ou, exerce algum tipo de atividade econ\u00f4mica, ainda que n\u00e3o haja, at\u00e9 por sua natureza jur\u00eddica, inten\u00e7\u00e3o lucrativa, equiparar-se-ia \u00e0s sociedades empres\u00e1rias para fins de submiss\u00e3o ao regime recuperacional?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como previamente mencionado, n\u00e3o se desconhece o disposto nos j\u00e1 mencionados artigos 1\u00ba, <em>caput<\/em>, da Lei Federal n\u00ba 11.101\/2005<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> e 966, <em>caput<\/em>, do C\u00f3digo Civil<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, \u00e9 imprescind\u00edvel se perquirir sobre a amplitude e sobre a racionalidade destes dispositivos, especialmente considerando o modelo de funcionamento do mercado empresarial brasileiro e as normativas aplic\u00e1veis a seus agentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta perspectiva, interessante destacar que Marlon Tomazette<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>, em seu Curso de Direito Empresarial, argumenta que o <em>\u201c<strong>empres\u00e1rio individual e sociedade empres\u00e1ria, s\u00e3o esp\u00e9cies do g\u00eanero empres\u00e1rio e delimitam o \u00e2mbito de incid\u00eancia da fal\u00eancia, da recupera\u00e7\u00e3o judicial e da recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial, os quais n\u00e3o se aplicam a todos indistintamente, mas apenas a eles<\/strong>.\u201d<\/em>. E complementa que <em>\u201c<strong>para entender a quem se aplica a fal\u00eancia, a recupera\u00e7\u00e3o judicial e a recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial, \u00e9 fundamental identificar quem se enquadra ou n\u00e3o no conceito de empres\u00e1rio<\/strong>.\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, com base neste posicionamento, considerara-se que o principal requisito gen\u00e9rico de submiss\u00e3o ao regime recuperacional seria, em regra, a t\u00edpica caracteriza\u00e7\u00e3o do interessado como empres\u00e1rio, no sentido literal do conceito \u2013 conforme disposto acima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todavia, as discuss\u00f5es que pairam acerca da possibilidade de Associa\u00e7\u00f5es Civis se valerem da A\u00e7\u00e3o de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial levam em considera\u00e7\u00e3o conceitos jur\u00eddicos que, a despeito de se englobarem ao Direito Empresarial, s\u00e3o multidisciplinares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a partir disto, isto \u00e9, de uma conjun\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de dispositivos, constitucionais e infraconstitucionais, e mediante interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica, procede-se com a avalia\u00e7\u00e3o de congru\u00eancia entre a Lei Federal n\u00ba 11.101\/2005 e as Associa\u00e7\u00f5es Civis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CARACTERIZA\u00c7\u00c3O F\u00c1TICA DAS ASSOCIA\u00c7\u00d5ES CIVIS \u2013 O \u201cCUNHO ECON\u00d4MICO\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem-se, de pro\u00eamio, que as caracter\u00edsticas f\u00e1ticas (econ\u00f4micas) das Associa\u00e7\u00f5es Civis e os institutos que, via de regra, estariam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o em hip\u00f3teses de insolv\u00eancia, endividamento, ou, imin\u00eancia de crise, devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o para que seja poss\u00edvel entender a controv\u00e9rsia, chegando-se \u00e0 conclus\u00e3o acerca de qual seria o mecanismo juridicamente mais adequado para possibilitar eventual supera\u00e7\u00e3o da recess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dito isto, destaca-se que \u00e9 pac\u00edfico o entendimento doutrin\u00e1rio e jurisprudencial, a despeito do disposto no artigo 53, <em>caput<\/em>, do C\u00f3digo Civil Brasileiro, de que, embora as Associa\u00e7\u00f5es se <em>\u201corganizem para fins n\u00e3o econ\u00f4micos\u201d<\/em>, <strong><u>n\u00e3o lhes \u00e9 vedado<\/u><\/strong> o <em>\u201cexerc\u00edcio de atividade econ\u00f4mica\u201d<\/em>, desde que, \u00e9 claro, este n\u00e3o seja o seu fim prec\u00edpuo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste exato sentido, o Conselho da Justi\u00e7a Federal e Superior Tribunal de Justi\u00e7a (CJF\/STJ), em sua IV Jornada de Direito Civil, editou o Enunciado n\u00ba 534, abaixo transcrito:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As associa\u00e7\u00f5es podem desenvolver atividade econ\u00f4mica, desde que n\u00e3o haja finalidade lucrativa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o tema, reporta-se trecho da obra de Fl\u00e1vio Tartuce<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As associa\u00e7\u00f5es, pela previs\u00e3o legal, s\u00e3o conjuntos de pessoas, com fins determinados, que n\u00e3o sejam lucrativos. Assim deve ser entendida a express\u00e3o \u201cfins n\u00e3o econ\u00f4micos\u201d. Nesse trilhar, o Enunciado n. 534 do CJF\/STJ, da VI Jornada de Direito Civil (2013), estabelece que \u201cas associa\u00e7\u00f5es podem desenvolver atividade econ\u00f4mica, desde que n\u00e3o haja finalidade lucrativa\u201d. <strong>Segundo as justificativas do enunciado doutrin\u00e1rio, \u201candou mal o legislador ao redigir o caput do art. 53 do C\u00f3digo Civil por ter utilizado o termo gen\u00e9rico \u2018econ\u00f4micos\u2019 em lugar do espec\u00edfico \u2018lucrativos\u2019<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dificuldade est\u00e1 em que o adjetivo \u2018econ\u00f4mico\u2019 \u00e9 palavra poliss\u00eamica, ou seja, possuidora de v\u00e1rios significados (econ\u00f4mico pode ser tanto atividade produtiva quanto lucrativa). <strong>Dessa forma, as pessoas que entendem ser a atividade econ\u00f4mica sin\u00f4nimo de atividade produtiva defendem ser descabida a reda\u00e7\u00e3o do caput do art. 53 do C\u00f3digo Civil por ser pac\u00edfico o fato de as associa\u00e7\u00f5es poderem exercer atividade produtiva. Entende-se tamb\u00e9m que o legislador n\u00e3o acertou ao mencionar o termo gen\u00e9rico \u201cfins n\u00e3o econ\u00f4micos\u201d para expressar sua esp\u00e9cie \u201cfins n\u00e3o lucrativos\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conclus\u00e3o, portanto, \u00e9 intuitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Inexiste proibi\u00e7\u00e3o, ou, obst\u00e1culo jur\u00eddico quanto ao exerc\u00edcio de atividade econ\u00f4mica organizada para a produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de bens, ou servi\u00e7os, por Associa\u00e7\u00f5es Civis sem fins lucrativos<\/strong>, desde que, obviamente, a reuni\u00e3o entre os associados n\u00e3o tenha finalidade lucrativa ou de divis\u00e3o de resultados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo, os recursos auferidos em raz\u00e3o disto dever\u00e3o, necessariamente, ser destinados e reinvestidos na pr\u00f3pria pessoa jur\u00eddica, isto \u00e9, no desenvolvimento da atividade de cunho econ\u00f4mico (empres\u00e1ria?) por ela desenvolvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 ineg\u00e1vel, portanto, que h\u00e1, nestas hip\u00f3teses, gera\u00e7\u00e3o de riqueza com <strong>impacto interno<\/strong> \u00e0s Associa\u00e7\u00f5es Civis, conforme anteriormente destacado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas h\u00e1 tamb\u00e9m um <strong>efeito externo<\/strong> importante. Isto porque \u2013 e, destaca-se, da mesma forma como ocorre em sociedades empres\u00e1rias \u2013 o exerc\u00edcio da j\u00e1 mencionada atividade econ\u00f4mica possibilitar\u00e1, dentre outros, a gera\u00e7\u00e3o e continua\u00e7\u00e3o de empregos, o adimplemento de tributos e a melhor na qualidade de vida e econ\u00f4mica da sociedade e comunidade local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conclus\u00e3o, portanto, \u00e9 que as Associa\u00e7\u00f5es podem exercer atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A FACT\u00cdVEL LEGISLA\u00c7\u00c3O APLIC\u00c1VEL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, questiona-se, a partir do momento em que h\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de determinada atividade econ\u00f4mica, poder-se-ia pressupor que o Ordenamento Jur\u00eddico Brasileiro, em especial a partir de suas normas e regramentos inerentes \u00e0 Insolv\u00eancia, em especial a Lei Federal n 11.101\/2005, chancelaria, ou, socorreria, estas pessoas jur\u00eddicas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pois bem. O procedimento recuperacional \u00e9 balizado em 02 (dois) grandes princ\u00edpios, a saber, o da <strong>Fun\u00e7\u00e3o Social<\/strong> e <strong>Preserva\u00e7\u00e3o da Empresa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Objetivamente, em sua ess\u00eancia, lastreiam-se, respectivamente, no disposto no nos artigos <strong>5\u00ba, Inciso XII<\/strong> e <strong>3\u00ba, Inciso II<\/strong>, <strong>23, Inciso X<\/strong>, <strong>170, Incisos VII e VIII<\/strong>, <strong>174, <em>caput<\/em> e \u00a71\u00ba<\/strong>, e <strong>192<\/strong>, todos da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precipuamente, a g\u00eanese destes princ\u00edpios tem por finalidade maior (i) o <strong>exerc\u00edcio da atividade empresarial<\/strong> n\u00e3o para estrito alcance dos objetivos de seus titulares, mas <strong>visando a observ\u00e2ncia de <u>interesses sociais<\/u><\/strong>, mencionando-se, dentre estes, a manuten\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de <strong>empregos<\/strong>, <strong>o pagamento de tributos<\/strong> e a <strong>promo\u00e7\u00e3o da qualidade de vida sociedade<\/strong> e da <strong>comunidade local<\/strong>; e (ii) obviamente, a <strong>manuten\u00e7\u00e3o da fonte econ\u00f4mica produtora, bem como das atividades exercidas pelas pessoas jur\u00eddicas, ainda que se esteja diante de um cen\u00e1rio de endividamento, crise e recess\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a partir de uma an\u00e1lise teleol\u00f3gica dos dispositivos constitucionais anteriormente mencionados e, sem preju\u00edzo, daqueles constantes na Lei Federal n\u00ba 11.101\/2005, \u00e9 poss\u00edvel concluir e verificar que <strong><u>n\u00e3o h\u00e1<\/u><\/strong> disposi\u00e7\u00e3o Legislativa expressa vedando as Associa\u00e7\u00f5es Civis (i) de <strong>exercerem atividade econ\u00f4mica organizada para a produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os (desde que, claro, essa n\u00e3o seja a sua finalidade)<\/strong>; e (ii) <strong>submeterem-se ao regime da Recupera\u00e7\u00e3o Judicial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inclusive, e sem maiores digress\u00f5es, \u00e9 essencial destacar que a Lei Federal n\u00ba 11.101\/2005, especificamente no artigo 2\u00ba, Incisos I e II, elenca, expressamente, as pessoas, institui\u00e7\u00f5es e sociedades \u00e0s quais o instituto recuperacional n\u00e3o ser\u00e1 aplicado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em momento algum o Legislador menciona as Associa\u00e7\u00f5es Civis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda nesta perspectiva, pondera-se que a Lei Federal n\u00ba 13.874\/2019, ou, comumentemente denominada Declara\u00e7\u00e3o de Direitos da Liberdade Econ\u00f4mica, disp\u00f5e que <em>\u201c<strong>as d\u00favidas de interpreta\u00e7\u00e3o do direito civil, empresarial, econ\u00f4mico e urban\u00edstico ser\u00e3o resolvidas de forma a <u>preservar a autonomia privada<\/u>, <u>exceto<\/u> se houver expressa disposi\u00e7\u00e3o legal em contr\u00e1rio<\/strong> (&#8230;).\u201d<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\"><strong>[9]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poder-se-ia entender, com base no aludido dispositivo, e de acordo com o que at\u00e9 o momento foi indicado, que o exerc\u00edcio, de boa-f\u00e9, de atividade econ\u00f4mica pelas Associa\u00e7\u00f5es Civis dever\u00e1 ser interpretado <em>\u201cno sentido de ser um dos direitos de concretiza\u00e7\u00e3o da liberdade econ\u00f4mica da pessoa\u201d<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><\/em>. Logo, este exerc\u00edcio de cunho econ\u00f4mico pressuporia, ainda que por equipara\u00e7\u00e3o, a aplica\u00e7\u00e3o das normas de Direito Empresarial, em especial, na hip\u00f3tese, aquelas atreladas \u00e0 Insolv\u00eancia, \u00e0s pessoas jur\u00eddicas desta natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cerne das discuss\u00f5es doutrin\u00e1rias e jurisprudenciais, atinentes ao tema, t\u00eam se voltado, essencialmente, para as quest\u00f5es, de fato e jur\u00eddicas, acima destacadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CONGRU\u00caNCIA DO REGIME RECUPECIONAL COM AS ASSOCI\u00c7\u00d5ES CIVIS &#8211; PRECEDENTES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ora, havendo exerc\u00edcio pujante de determinada atividade econ\u00f4mica por Associa\u00e7\u00f5es Civis sem fins lucrativos, seria, teleol\u00f3gica e principiologicamente, adequado exclu\u00ed-las do regime especial da Recupera\u00e7\u00e3o Judicial? E mais, seria congruente, a despeito do exposto, submet\u00ea-las ao restrito, duro e penoso sistema da Insolv\u00eancia Civil?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como mencionado, existem precedentes jurisprudenciais sobre o tema, todos, todavia, ainda esparsos. E n\u00e3o h\u00e1 defini\u00e7\u00e3o efetiva do assunto pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns casos emblem\u00e1ticos, todavia, merecem destaque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentre eles, menciona-se as a\u00e7\u00f5es de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial aviadas pela (i) <strong>Associa\u00e7\u00e3o Educacional Luterana do Brasil \u2013 AELBRA (autos n\u00ba autos n\u00ba 5000461-37.2019.8.21.0008)<\/strong>, julgado pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio Grande do Sul em 13\/12\/2019; e pela (ii)<strong> Associa\u00e7\u00e3o Sociedade Brasileira de Instru\u00e7\u00e3o (ASBI) e pelo Instituto C\u00e2ndido Mendes (autos n\u00ba 0093754-90.2020.8.19.0001)<\/strong>, julgado pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro em 03\/09\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em ambas as hip\u00f3teses, os tribunais estaduais, em sintonia com o que foi ressaltado no presente estudo, reconheceram que, a despeito de se tratarem de Associa\u00e7\u00f5es Civis, as respectivas pessoas jur\u00eddicas exerciam atividade econ\u00f4mica organizada para a produ\u00e7\u00e3o, ou, circula\u00e7\u00e3o de bens ou servi\u00e7os, destacando, ademais, a gera\u00e7\u00e3o de empregos e a arrecada\u00e7\u00e3o para o Estado, com exerc\u00edcio da Fun\u00e7\u00e3o Social destinada \u00e0s sociedades empres\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em raz\u00e3o disto, por equipara\u00e7\u00e3o e a despeito de outros argumentos, consignou-se que, uma vez que se tratavam, as Associa\u00e7\u00f5es, de agentes econ\u00f4micos, era poss\u00edvel que se valessem do procedimento de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Corte Superior de Justi\u00e7a<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, recentemente, por seu turno, e ainda que <strong><u>em car\u00e1ter prec\u00e1rio e n\u00e3o definitivo<\/u><\/strong>, avaliou tema similar. O Ministro Relator, Lu\u00eds Felipe Salom\u00e3o, destacou, de pro\u00eamio, que, de fato, a possibilidade de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial das Associa\u00e7\u00f5es Civis \u00e9 tema latente, que vem dividindo o entendimento da doutrina especializada e da jurisprud\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, segundo ele, <em>\u201capesar de <strong><u>n\u00e3o se enquadrarem literalmente nos conceitos de empres\u00e1rio e sociedade empres\u00e1ria<\/u><\/strong> do art. 1\u00ba da Lei n. 11.101\/2005 para fins de recupera\u00e7\u00e3o judicial, <strong><u>as associa\u00e7\u00f5es civis tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o inseridas no rol dos agentes econ\u00f4micos exclu\u00eddos de sua sujei\u00e7\u00e3o<\/u><\/strong>.\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a>E complementou, novamente em sintonia com o exposto neste estudo, destacando que <em>\u201c<strong>em diversas circunst\u00e2ncias, as associa\u00e7\u00f5es civis sem fins lucrativos acabam se estruturando como verdadeiras empresas do ponto de vista econ\u00f4mico, em que, apesar de n\u00e3o distribu\u00edrem o lucro entre os s\u00f3cios, exercem atividade econ\u00f4mica organizada para a produ\u00e7\u00e3o e\/ou a circula\u00e7\u00e3o de bens ou servi\u00e7os, empenhando-se em obter super\u00e1vit financeiro e crescimento patrimonial a ser revertido em prol da pr\u00f3pria entidade e da manten\u00e7a de todas as benesses sociais \u00e0s quais est\u00e1 vinculada<\/strong>.\u201d<\/em>.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, existem, igualmente, precedentes contr\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exemplificativamente, o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o Paulo<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>, majoritariamente, vem afastando a an\u00e1lise econ\u00f4mica da atividade desenvolvida pelas Associa\u00e7\u00f5es e, sob uma perspectiva legislativa literal, tem conclu\u00eddo que a pessoa jur\u00eddica n\u00e3o empres\u00e1ria n\u00e3o pode se valer do regime recuperacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A QUEST\u00c3O AFETA AO REGISTRO EMPRESARIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E n\u00e3o menos importante, \u00e9 imprescind\u00edvel destacar que o registro, exigido pelo artigo 51, Inciso V, da Lei Federal n\u00famero 11.101\/2005, n\u00e3o \u00e9 fundamental para a caracteriza\u00e7\u00e3o das atividades de determinada pessoa jur\u00eddica como de natureza empres\u00e1ria ou econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto porque, frequentemente, a exig\u00eancia do art. 967, <em>caput<\/em>, do C\u00f3digo Civil Brasileiro<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a> \u00e9 relativizada e considerada como meramente declarat\u00f3ria, o que parece ser adequado no caso das Associa\u00e7\u00f5es Civis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta perspectiva, destaca-se, inclusive, o disposto nos Enunciados n\u00ba 198 e 199, da Jornada de Direito Civil do Conselho de Justi\u00e7a Federal, segundo os quais <em>&#8220;a inscri\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio na Junta Comercial n\u00e3o \u00e9 requisito para a sua caracteriza\u00e7\u00e3o, admitindo-se o exerc\u00edcio da empresa sem tal provid\u00eancia. O empres\u00e1rio irregular re\u00fane os requisitos do art. 966, sujeitando-se \u00e0s normas do C\u00f3digo Civil e da legisla\u00e7\u00e3o comercial, salvo naquilo em que forem incompat\u00edveis com a sua condi\u00e7\u00e3o ou diante de expressa disposi\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio&#8221;<\/em> e <em>&#8220;a inscri\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio ou sociedade empres\u00e1ria \u00e9 requisito delineador de sua regularidade, e n\u00e3o de sua caracteriza\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a aus\u00eancia do registro de determinada Associa\u00e7\u00e3o Civil perante a Junta Comercial, em regra, n\u00e3o poderia ser obst\u00e1culo ao deferimento do processamento da Recupera\u00e7\u00e3o nas hip\u00f3teses em que h\u00e1 demonstra\u00e7\u00e3o de atividade econ\u00f4mica ou empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afinal, trata-se de quest\u00e3o iminentemente formal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A NECESSIDADE DE DEFIN\u00c7\u00c3O DO TEMA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante do exposto, tendo em vista a evidente diverg\u00eancia jurisprudencial e doutrin\u00e1ria, \u00e9 not\u00f3rio que o crescimento do n\u00famero de procedimentos de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial, indubitavelmente, intensificar\u00e1 as discuss\u00f5es acerca da aplicabilidade do regime da Lei Federal n\u00ba 11.101\/2005, \u00e0s Associa\u00e7\u00f5es Civis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, \u00e9 indubit\u00e1vel que a Corte Superior de Justi\u00e7a ser\u00e1 provocada para, em definitivo, pronunciar-se sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AS CONCLUS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, \u00e9 indiscut\u00edvel que a interpreta\u00e7\u00e3o final\u00edstica conjunta da Lei de Liberdade Econ\u00f4mica, do C\u00f3digo Civil Brasileiro, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e da pr\u00f3pria Lei Federal n\u00ba 11.101\/2005, assim como dos Princ\u00edpios que a norteiam, dever\u00e3o, inafastavelmente, ser considerados para que haja escorreita consolida\u00e7\u00e3o e uniformiza\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;E \u00e9 bom lembrar, repita-se, que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ainda que em car\u00e1ter preliminar e n\u00e3o definitivo, assim procedeu, conforme apontado acima. De todo o modo, n\u00e3o h\u00e1 efetiva defini\u00e7\u00e3o por ora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto fulcral, todavia, como evidenciado, para fixa\u00e7\u00e3o do entendimento quanto \u00e0 mat\u00e9ria, certamente girar\u00e1 em torno da conjuga\u00e7\u00e3o entre (i) o <strong>exerc\u00edcio de atividade econ\u00f4mica (empresarial)<\/strong> \u2013 por\u00e9m n\u00e3o lucrativa; (ii) a <strong>gera\u00e7\u00e3o de riqueza<\/strong>, mediante <strong>cria\u00e7\u00e3o de postos de emprego<\/strong>, ou, <strong>manuten\u00e7\u00e3o dos j\u00e1 existentes <\/strong>e <strong>adimplemento de tributos<\/strong>; (iii) o <strong>impacto econ\u00f4mico-social da Associa\u00e7\u00e3o Civil<\/strong> para a sociedade e a comunidade local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Significa dizer, se determinada Associa\u00e7\u00e3o, ou melhor, seus associados, n\u00e3o perseguem o lucro, mas exerce uma atividade empresarial, ou, de car\u00e1ter e impacto econ\u00f4mico, n\u00e3o se pode negar que, no m\u00ednimo por equipara\u00e7\u00e3o, encontra-se presente o cunho empresarial que atrai a possibilidade de se pugnar, em ju\u00edzo, pelo soerguimento da pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A t\u00edtulo exemplificativo, veja-se, a despeito da exist\u00eancia de Associa\u00e7\u00f5es que (i) se formam, existem, desenvolvem-se e executam seus objetivos sem qualquer atividade econ\u00f4mica; (ii) n\u00e3o se pode ignorar que h\u00e1 tantas outras em que a exist\u00eancia de atividade de econ\u00f4mica \u00e9 parte integrante de sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, a exemplo, mas n\u00e3o se limitando, de mantenedoras de institui\u00e7\u00f5es de ensino, provedoras de servi\u00e7os m\u00e9dicos e at\u00e9 mesmo, eventualmente, de clubes que exploram economicamente atividades desportivas, apostas, venda de uniformes, produ\u00e7\u00e3o de artefatos, dentre outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso quer dizer que a finalidade da associa\u00e7\u00e3o \u00e9 o lucro? Evidentemente que n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, nestas hip\u00f3teses h\u00e1 um claro cunho econ\u00f4mico e os resultados advindos das atividades desenvolvidas, como previamente pontuado, destinar-se-\u00e3o n\u00e3o apenas ao desenvolvimento, manuten\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica, mas tamb\u00e9m \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de empregos, adimplemento de obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias e como vetor de desenvolvimento social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo, como previamente destacado, haveria, verdadeiramente, o exerc\u00edcio de uma atividade essencialmente, ou, equiparadamente, empresarial pela Associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Recupera\u00e7\u00e3o Judicial, portanto, dentro da estrutura de uma Associa\u00e7\u00e3o Civil, qualificada como agente econ\u00f4mico, serviria como meio necess\u00e1rio a propiciar o seu soerguimento, o pagamento de credores, a prote\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e a fonte produtora de riqueza, cumprindo, assim, com as finalidades do instituto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda, tem-se, em suma, que o Procedimento Recuperacional nada mais \u00e9 do que uma disposi\u00e7\u00e3o de direitos dos credores, os quais aceitam (ou n\u00e3o) condi\u00e7\u00f5es propostas, cuja finalidade \u00e9 o recebimento parcial do cr\u00e9dito, permitindo-se, ainda, que a atividade econ\u00f4mica ou empresarial desenvolvida tenha continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode-se concluir, portanto, que a tend\u00eancia \u00e9 que, em raz\u00e3o da grande majora\u00e7\u00e3o do n\u00famero de Procedimentos Recuperacionais nos \u00faltimos anos, justificada por cen\u00e1rios de crise e recess\u00e3o econ\u00f4mica a n\u00edvel nacional e mundial, as Associa\u00e7\u00f5es Civis certamente provocar\u00e3o o Poder Judici\u00e1rio, em especial a Corte Superior de Justi\u00e7a, a se debru\u00e7ar sobre a tem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, caso haja a veda\u00e7\u00e3o de acesso a estes procedimentos, pelas Associa\u00e7\u00f5es Civis, elas ficar\u00e3o praticamente condenadas a se submeterem ao regime da Insolv\u00eancia Civil, o que, claramente, n\u00e3o se mostra adequado, em raz\u00e3o de todo o exposto e de toda a estrutura financeira, trabalhista, tribut\u00e1ria e social envolvida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 certo, todavia, que a interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica das legisla\u00e7\u00f5es que envolvem o Procedimento de Soerguimento \u2013 incluindo-se, neste sentido, n\u00e3o apenas a Legisla\u00e7\u00e3o Especial, mas tamb\u00e9m disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais e do C\u00f3digo Civil Brasileiro \u2013 pode, desde que haja efetiva comprova\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio de Atividades Econ\u00f4mica, obviamente sem prec\u00edpua finalidade lucrativa, impulsionar a defini\u00e7\u00e3o de que determinadas Associa\u00e7\u00f5es Civis, enquadradas na condi\u00e7\u00e3o de Agentes Econ\u00f4micos, podem se valer do Procedimento de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Lei n\u00ba 10.406, de 10 de Janeiro de 2002<\/strong>. Institui o C\u00f3digo Civil. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/2002\/L10406compilada.htm\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/2002\/L10406compilada.htm<\/a>. Acesso em 12 de dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Lei n\u00ba 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. <\/strong>Regula a recupera\u00e7\u00e3o judicial, a extrajudicial e a fal\u00eancia do empres\u00e1rio e da sociedade empres\u00e1ria. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11101.htm\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11101.htm<\/a>. Acesso em 12 de dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL.&nbsp; <strong>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil de 1988.<\/strong> Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicaocompilado.htm. Acesso em 12 de dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SERASA EXPERIAN.&nbsp;<strong>Pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial crescem 94,3% em setembro, aponta Serasa Experian<\/strong>. 2023. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.serasaexperian.com.br\/sala-de-imprensa\/pedidos-de-recuperacao-judicial-crescem-943-em-setembro-aponta-serasa-experian\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.serasaexperian.com.br\/sala-de-imprensa\/pedidos-de-recuperacao-judicial-crescem-943-em-setembro-aponta-serasa-experian<\/a>. Acesso em: 12 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">STJ. Agravo Interno no Pedido de Tutela Provis\u00f3ria n\u00ba 3.654\/RS. Quarta Turma. Relatoria: Ministro Raul Ara\u00fajo. Relator do Ac\u00f3rd\u00e3o: Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o. Publica\u00e7\u00e3o: 08\/04\/2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TARTUCE, Fl\u00e1vio. <strong>Manual de Direito Civil<\/strong>. Volume \u00fanico. M\u00e9todo. S\u00e3o Paulo. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TOMAZETTE, Marlon. <strong>Curso de Direito Empresarial<\/strong>. Volume III. Fal\u00eancia e Recupera\u00e7\u00e3o de Empresa. Saraiva. S\u00e3o Paulo. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TJSP. Agravo de Instrumento n\u00ba 2190930-38.2023.8.26.0000. 2\u00aa C\u00e2mara Reservada de Direito Empresarial. Relatoria: Ricardo Negr\u00e3o. Decis\u00e3o Publicada em: 03\/08\/2023 &#8211; Pr\u00f3-sa\u00fade Associa\u00e7\u00e3o Beneficente de Assist\u00eancia Social e Hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.serasaexperian.com.br\/sala-de-imprensa\/analise-de-dados\/pedidos-de-recuperacoes-judiciais-registram-crescimento-de-943-em-um-ano-aponta-serasa-experian\/\">https:\/\/www.serasaexperian.com.br\/sala-de-imprensa\/analise-de-dados\/pedidos-de-recuperacoes-judiciais-registram-crescimento-de-943-em-um-ano-aponta-serasa-experian\/<\/a> &#8211; acesso em 11\/12\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a>Art. 966. Considera-se empres\u00e1rio quem exerce profissionalmente atividade econ\u00f4mica organizada para a produ\u00e7\u00e3o ou a circula\u00e7\u00e3o de bens ou de servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a>Art. 1\u00ba Esta Lei disciplina a recupera\u00e7\u00e3o judicial, a recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial e a fal\u00eancia do empres\u00e1rio e da sociedade empres\u00e1ria, doravante referidos simplesmente como devedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a>Art. 966. Considera-se empres\u00e1rio quem exerce profissionalmente atividade econ\u00f4mica organizada para a produ\u00e7\u00e3o ou a circula\u00e7\u00e3o de bens ou de servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a>TOMAZETTE, Marlon. Curso de Direito Empresarial. Volume III. Fal\u00eancia e Recupera\u00e7\u00e3o de Empresa. Saraiva. S\u00e3o Paulo. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a>TARTUCE, Fl\u00e1vio. Manual de Direito Civil. Volume \u00fanico. M\u00e9todo. S\u00e3o Paulo. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a>Art. 3\u00ba S\u00e3o direitos de toda pessoa, natural ou jur\u00eddica, essenciais para o desenvolvimento e o crescimento econ\u00f4micos do Pa\u00eds, observado o disposto no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 170 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal: (&#8230;). V &#8211; Gozar de presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 nos atos praticados no exerc\u00edcio da atividade econ\u00f4mica, para os quais as d\u00favidas de interpreta\u00e7\u00e3o do direito civil, empresarial, econ\u00f4mico e urban\u00edstico ser\u00e3o resolvidas de forma a preservar a autonomia privada, exceto se houver expressa disposi\u00e7\u00e3o legal em contr\u00e1rio; (&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> TARTUCE, Fl\u00e1vio. Manual de Direito Civil. Volume \u00fanico. M\u00e9todo. S\u00e3o Paulo. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a>Agravo Interno no Pedido de Tutela Provis\u00f3ria n\u00ba 3.654\/RS. Quarta Turma. Relatoria: Ministro Raul Ara\u00fajo. Relator do Ac\u00f3rd\u00e3o: Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o. Publica\u00e7\u00e3o: 08\/04\/2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a>TJSP. Agravo de Instrumento n\u00ba 2190930-38.2023.8.26.0000.. 2\u00aa C\u00e2mara Reservada de Direito Empresarial. Relatoria: Ricardo Negr\u00e3o. Decis\u00e3o Publicada em: 03\/08\/2023 &#8211; Pr\u00f3-sa\u00fade Associa\u00e7\u00e3o Beneficente de Assist\u00eancia Social e Hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a id=\"_ftn13\" href=\"#_ftnref13\">[13]<\/a>Art. 967. \u00c9 obrigat\u00f3ria a inscri\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio no Registro P\u00fablico de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do in\u00edcio de sua atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Thiago de Magalh\u00e3es Kopperschmidt,<\/em><\/strong><em> <\/em><em>Advogado do Abi-Ackel Advogados Associados, especialista em Direito Empresarial e Contratos.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Caio Amaral M\u00fcller Dimas e Souza<\/em><\/strong><em>, Advogado do Abi-Ackel Advogados Associados, especialista em Direito Empresarial.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fonte: https:\/\/www.migalhas.com.br\/depeso\/399319\/a-im-possibilidade-de-equiparacao-das-associacoes-civis-as-sociedades<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 poss\u00edvel que as Associa\u00e7\u00f5es Civis sejam equiparadas a sociedades empres\u00e1rias para fins de submiss\u00e3o ao regime da Recupera\u00e7\u00e3o Judicial? Confira o artigo dos advogados Thiago Kopperschmidt e Caio M\u00fcller, da Diretoria Executiva, para o Portal Migalhas<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4999,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[90],"tags":[],"mostrar_na_home":[],"class_list":["post-5001","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-abi-ackel-is-healthier"],"acf":[],"publishpress_future_action":{"enabled":false,"date":"2026-10-23 11:11:45","action":"change-status","newStatus":"draft","terms":[],"taxonomy":"category","extraData":[]},"publishpress_future_workflow_manual_trigger":{"enabledWorkflows":[]},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5001"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5001\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5001"},{"taxonomy":"mostrar_na_home","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abiackeladvogados.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmostrar_na_home&post=5001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}