As mudanças no modelo de negócio dos escritórios de advocacia em 1 ano de pandemia

Loyanna Menezes, CEO do Abi-Ackel Advogados, para o LexLatin

Do menor empresário às grandes corporações, ninguém saiu ileso. Em março de 2020, quando o mundo se deparou com a necessidade de lutar para conter o avanço do coronavírus, todo o mundo dos negócios parou. Reinvenção passou a ser sinônimo de sobrevivência.

Na advocacia não foi diferente e escritórios que não estavam preparados para essas mudanças tiveram que se reinventar. O impacto do uso da tecnologia como principal ferramenta no meio jurídico foi imenso: da atuação com o Judiciário, ao relacionamento com os clientes, à forma de atuação do RH, tudo passou a depender dos investimentos que foram feitos em sistemas e plataformas digitais.


Leia também: A ascensão das advogadas na carreira jurídica durante a pandemia


Com as equipes trabalhando incansavelmente em projetos emergenciais para atendimento aos clientes, as ferramentas de comunicação interna foram primordiais ao permitirem que todos atuassem de forma extremamente eficiente, com fluxos mais simplificados. Um diagnóstico que antes demandava duas ou três viagens ao ambiente do cliente passou a ser realizado, em razão da mudança imposta a todos, em horas.

Ainda com relação aos clientes, novos formatos de contato surgiram.  Lives, webnars e boletins digitais com informes em tempo recorde se tornaram cada vez mais comuns. Afinal, principalmente naquele momento inicial, informações eram imprescindíveis e cada hora fazia toda diferença para a tomada de decisões dos clientes.

Do outro lado, de forma não menos diferente, o Poder Judiciário buscava suas alternativas. A virtualização total dos processos passou a ser priorizada e audiências e julgamentos passaram a ser conduzidos no formato online.

Em um primeiro momento, sem as relações presenciais, ficou a sensação de uma perda de eficiência. Contudo, assim que todas as partes envolvidas se adaptaram à nova dinâmica, muito do que demandava tempo de espera e recursos pessoais e estruturais ficou perfeitamente atendido pelo formato. Certamente há questões extremamente complexas que exigem o bom contato presencial para melhor compreensão. Mas há um enorme acervo processual que pode tranquilamente se beneficiar da virtualização dos atos judiciários.

Ainda nesse contexto, a OAB, com o boom de utilização do meio eletrônico, passou a se preocupar com a revisão do Código de Ética, afinal, o texto regulamenta a profissão e precisa acompanhar tantas mudanças.

E o que veio para ficar?

A adoção do modelo híbrido é um caminho sem volta. Apesar de não haver dúvidas quanto à importância da proximidade física no trabalho, as vantagens da atuação à distância são inúmeras. A geografia deixou de ser limite para a contratação de profissionais. Percebemos que é possível contratar pessoas de todo o Brasil em razão dos fluxos virtualizados. Perde-se não tendo a convivência diária, mas ganha-se com a riqueza de uma equipe ainda mais diversa, com formações regionais e vivências diferentes. Esse tipo de ambiente global, ainda que virtual, é sensacional!

A partir de agora existe a certeza de que qualquer planejamento empresarial precisará ter um bom orçamento para investimentos em tecnologia. Se não quisermos ver novas empresas substituindo negócios sólidos e de décadas, outra saída não há! Plataformas para mensuração de desempenho, ouvidoria e gestão de conteúdo tornam-se imprescindíveis em uma realidade ainda mais dinâmica e incerta. Dessa realidade, os escritórios de advocacia também não fogem.

Proteção de Dados

Neste cenário, a preocupação com os próprios dados e a repercussão de uma utilização indevida de informações passa a ocupar o centro de muitos debates. Por isso, os escritórios de advocacia devem estar atentos à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para aplicação no próprio negócio e, sem dúvida, como uma nova área de atuação. 

O incessante avanço tecnológico traz muitas e intensas mudanças. Mas os direitos fundamentais que tratam da liberdade, privacidade e livre formação da personalidade de cada indivíduo permanecem sendo o núcleo essencial de proteção do Direito. E, por isso, mesmo em um ambiente altamente tecnológico, o direito fundamental continua sendo a matéria prima das teses defendidas pelos advogados, ainda que feitas e apresentadas em formatos novos.

Relacionamento com o cliente e gestão

Conhecer o negócio do cliente, sua matriz de riscos e seus indicadores de desempenho será importantíssimo para um período ainda complicado e de retomada lenta do crescimento. Ou seja, o escritório de advocacia que não se presta a replicar internamente a missão de um cliente será facilmente substituído por outro. Não basta mais advogar, um sócio e sua equipe, na condução de um contencioso ou de uma consultoria, precisam agir e pensar como o cliente, propor soluções como o presidente dessa empresa cliente e, principalmente, estar preparado para ser empático e ter oscilações no faturamento de acordo com o posicionamento desse cliente no mercado.

Por fim, e não menos importante, o reforço na área de gestão de pessoas dos escritórios de advocacia será imprescindível. Muito terá que ser revisado para integrar e adaptar pessoas que emocionalmente fecharão um ciclo pandêmico de solidão e conflitos pessoais. O sucesso dos escritórios depende de profissionais prontos para um mercado de trabalho ainda mais exigente, com habilidades comportamentais como inteligência emocional, apetite para inovação e fácil adaptação às mudanças constantes sendo indispensáveis a qualquer um.

Treinamentos focados no desenvolvimento de líderes, café da manhã virtual entre gestores, reuniões sobre gestão e comportamento, apresentações sobre empreendedorismo e grupos de discussão através de plataformas online internas são algumas ações que têm desenvolvidas e que serão constantemente atualizadas e reinventadas dia pós dia, sempre focada em talentos.

fonte: https://br.lexlatin.com/opiniao/mudancas-no-modelo-de-negocio-dos-escritorios-de-advocacia-em-1-ano-de-pandemia

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