O mercado de M&A no Brasil segue 2025 em ritmo de crescimento, revelando um acréscimo no número de transações em relação ao mesmo período de 2024. Apesar dos desafios do cenário macroeconômico, observa-se maior interesse de investidores estrangeiros e avanço expressivo em Private Equity, Venture Capital e aquisições de ativos estratégicos. Esse movimento evidencia a resiliência do ecossistema transacional brasileiro e reafirma a atratividade do país como destino estratégico para investimentos globais.
1. Volume de transações e capital mobilizado: crescimento sustentado
De acordo com o relatório mensal da TTR Data referente a outubro de 2025, o Brasil registrou 1.475 transações, número que representa um crescimento de 5% em relação ao mesmo período de 2024 e sinaliza a retomada gradual do dinamismo transacional.
O capital mobilizado atingiu R$ 218,4 bilhões, com 84% das operações já concluídas, evidenciando maior maturidade na condução dos processos e maior previsibilidade na execução dos deals[1].
2. Setores mais dinâmicos
A dinâmica setorial reforça a tendência global de digitalização e modernização das empresas. Nesse contexto, o segmento de Internet, Software & IT Services ocupa um lugar de destaque, reafirmando sua relevância estratégica no ecossistema de M&A brasileiro.
A crescente digitalização empresarial, aliada à escalabilidade dos modelos SaaS, tem criado um ambiente altamente favorável a movimentos de aquisição, sobretudo por agentes que buscam ampliar portfólio, capturar sinergias e reduzir o tempo de disponibilização do produto/serviço.
Paralelamente, o avanço da Inteligência Artificial generativa intensificou a disputa por ativos tecnológicos, tornando estratégica a incorporação de soluções de automação, analytics e IA como diferencial competitivo. Nesse cenário, o segmento de tecnologia consolidou-se como prioridade absoluta para fundos e corporações, concentrando parcela significativa das atuações transacional no país.
O setor de energia permanece como um dos principais motores do mercado de M&A no Brasil, sustentado pela transição energética e pela expansão das fontes renováveis, especialmente solar e eólica. Até setembro foram movimentados quase R$ 50 bilhões em transações no setor, refletindo seu peso crescente no investimento corporativo. Um exemplo é a venda de 70% da Aliança Geração de Energia, controlada pela Vale, para a Global Infrastructure Partners, que reforça o apetite de investidores globais por ativos de infraestrutura energética no país[2].
Também ocupando um lugar de destaque nas transações, o setor de instituições financeiras registrou um crescimento próximo de 100% nas operações de M&A no primeiro semestre de 2025, segundo a KPMG[3]. Fintechs, gestoras de recursos e plataformas de assessoria financeira também têm protagonizado o movimento, refletindo a crescente integração entre serviços financeiros e tecnologia no mercado brasileiro.
3. Os desafios que exigem capacidade analítica e visão estratégica de mercado
O panorama apresentado para 2025 revela não apenas um mercado mais ativo, mas também um ambiente em que as motivações estratégicas para fusões e aquisições se intensificam.
Fatores como o aumento das taxas de juros, indefinições fiscais e a desvalorização de ativos têm influenciado o apetite dos investidores. Para investidores estratégicos, períodos de crise costumam estimular movimentos de consolidação, à medida que empresas buscam sinergias, ganho de escala, redução de custos e fortalecimento competitivo.
Apesar do ambiente favorável, as operações de combinação de negócios demandam profissionais altamente especializados, capazes de estruturar transações em contextos de crescente complexidade regulatória, governança, tributária e operacional.
O nível de exigência dos investidores está cada vez mais elevado, o que impõe à assessoria jurídica a necessidade de diligenciar para garantir um ecossistema que não apenas neutralize riscos jurídicos, mas que incorpore requisitos de governança e integridade, práticas ESG, gestão de riscos reputacionais, observância de normas regulatórias setoriais mais rigorosas e avaliação de riscos concorrenciais.
As operações exigem:
- Due Diligences profundas e orientadas a risco,
- governança e compliance robustos,
- estruturas contratuais sofisticadas,
- visão integrada societária, tributária e regulatória,
- e capacidade real de operar com velocidade sem perder qualidade técnica.
Assim, a atuação em M&A envolve estruturar negócios que conciliam segurança jurídica, mitigação de riscos e ganhos estratégicos, sempre alinhados aos interesses dos clientes.
Uma abordagem que integra expertise jurídica, capacidade analítica e visão estratégica de mercado.
4. Projeções para 2026
Para 2026, espera-se um mercado de M&A marcado por um ritmo de retomada gradual, ainda permeado por cautela e seletividade. Apesar dos desafios, tais como o cenário de juros elevados, câmbio volátil, incerteza política em ano eleitoral e risco-país que segue no radar dos investidores, há espaço para oportunidades estratégicas, especialmente para empresas com fluxo de caixa consistente, governança sólida e perspectiva de eficiência operacional.
Em contextos de valuations mais conservadores, compradores com perfil estratégico poderão encontrar ativos subvalorizados ou resilientes, abrindo espaço para consolidações, reestruturações e operações de longo prazo.
Ao mesmo tempo, com a elevação da complexidade regulatória e tributária, o sucesso dos deals dependerá cada vez mais de estruturas jurídicas sólidas e diligências aprofundadas, integrando compliance, risco e estratégia corporativa, condição na qual nos posicionamos para apoiar empresas, investidores e instituições financeiras que desejem transformar desafios em resultados concretos.
[1] https://blog.ttrdata.com/relatorio-mensal-sobre-o-mercado-transacional-brasileiro-outubro-2025/
[2] https://braziljournal.com/vale-vende-70-da-alianca-para-gip-e-levanta-us-1-bi/
[3] https://kpmg.com/br/pt/home/insights/2025/06/pesquisa-fusoes-aquisicoes-2025-1-trimestre.html




